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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Colar de Histórias

Pronunciamento proferido ao receber o titulo de primeiro "Cidadão Ilustre do Mercosul" em 04 de Julho de 2008


Por Eduardo Galeano*


A nossa região é o reino dos paradoxos.

Brasil, tomemos alguns casos:

Paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;

paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e pela poliomielite, nascido para a infelicidade, foi o jogador que mais alegria deu em toda a história do futebol;

e, paradoxalmente, já completou cem anos de idade Oscar Niemeyer, que é o mais novo dos arquitectos e o mais jovem dos brasileiros.


* * *


Tomemos o caso da Bolívia: em 1978, cinco mulheres enfrentaram uma ditadura militar.

Paradoxalmente, toda a Bolívia riu delas quando iniciaram a sua greve de fome.

Paradoxalmente, toda a Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu.

Eu conheci uma dessas cinco lutadoras. Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua. Numa assembleia de operários das minas, todos homens, ela levantou-se e fez todos calarem-se.

- Quero lhes dizer isto - disse. O nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. O nosso inimigo principal é o medo, e levamo-lo dentro de nós.

E anos depois reencontrei Domitila em Estocolmo. Expulsa da Bolívia, foi para o exílio, com os seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, cuja liberdade admirava, mas eles davam-lhe pena, tão solitários que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E dava-lhes conselhos:

- Não sejam tolos - dizia-lhes. Nós, lá na Bolívia, juntamo-nos. Ainda que seja para lutar, unimo-nos.


* * *


E quanta razão tinha.

Porque eu digo: Existem os dentes, e não se juntam na boca? Existem os dedos, e não se juntam na mão?

Juntamos: e não apenas para defender o preço dos nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor dos nossos direitos. Estão juntos, embora de vez em quando simulem rixas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os demais. A sua riqueza come pobreza, e a sua arrogância come medo. Há bem pouco tempo, tomemos este caso, a Europa aprovou a lei que converte os imigrantes em criminosos. Paradoxo dos paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta nos narizes dos invadidos, quando retribuem a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a ser comidos e viver com medo.

Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio das suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas, somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos adestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não nos querermos, a cuspir no espelho, a copiar em lugar de criar.


* * *


Ao longo de toda a primeira metade do século XIX, um venezuelano chamado Simon Rodríguez, andou pelos caminhos da nossa América, no lombo de mula, desafiando os novos donos do poder:

- Vocês - clamava don Simon - vocês que tanto imitam os europeus, por que não os imitam no mais importante, que é a originalidade?

Paradoxalmente, por ninguém era ouvido este homem que tanto merecia ser ouvido.

Paradoxalmente, chamavam-no de louco, porque tinha o bom senso de acreditar que devemos pensar com a nossa própria cabeça, porque tinha o bom senso de propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que aquele que não sabe, qualquer um o engana e aquele que não tem, qualquer o compra.

Porque tinha o bom senso de duvidar da independência de nossos países recém-nascidos:

- Não somos donos de nós mesmos - dizia. Somos independentes, mas não somos livres.


* * *


Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado. O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi paradoxalmente assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia um centavo a ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de importação.

Paradoxalmente, após cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte sobreviveu a origem. Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios nasceram da língua que lhes deu nome, e entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E em guarani ainda falam os paraguaios na hora da verdade, que é a hora do amor e do humor.

Em guarani, ñe' significa palavra e também significa alma. Quem mente a palavra, trai a alma.

Se te dou minha palavra, dói-me.


* * *


Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e deu-se.

Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio do governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele tinha dito:

- Eu, daqui, não saio vivo.

Na história latino-americana, é uma frase frequente. Foi pronunciada por uns quantos presidentes que depois saíram vivos, para continuarem a pronunciá-la. Mas, essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu.

Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile chama-se, ainda, Onze de Setembro. E não tem esse nome pelas vítimas das Torres Gémeas de Nova York. Não. Leva esse nome em homenagem aos verdugos da democracia no Chile, com todo o respeito por esse país que amo, atrevo-me a perguntar, por puro senso comum: Não seria hora de mudar o nome? Não seria hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra?


* * *


E saltando a cordilheira, pergunto-me: Por que será que Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar a nascer?

Paradoxalmente, quanto mais o manipulam, quanto mais o traem, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos.

E pergunto-me: Não será porque ele dizia o que pensava, e fazia o que dizia? Não será que por isso continua sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os fatos muito raramente se encontram, e quando se encontram não se saúdam, porque não se reconhecem?


* * *


Os mapas da alma não têm fronteiras, e eu sou patriota de várias pátrias. Mas, quero culminar esta pequena viagem pelas terras da região evocando um homem nascido, como eu, aqui por perto.

Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio, mas continua a ser meu compatriota mais perigoso. Tão perigoso é que a ditadura militar do Uruguai não pôde encontrar uma única frase sua que não fosse subversiva, e teve que decorar com datas e nomes de batalhas o mausoléu que ergueu para ofender a sua memória.

A ele, que se negou a aceitar que a nossa pátria grande se rompesse em pedaços;

a ele, que se negou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra os seus filhos mais pobres, a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico esta distinção, que recebo em seu nome.

E termino com palavras que lhe escrevi há algum tempo:


1820, Paso del Boquerón. Sem voltar a cabeça, você afunda no exílio. Vejo-o, estou o vendo: desliza do Paraná com agilidade de um lagarto e afasta flamejando o seu poncho esfarrapado, ao trote do cavalo, e perde-se na mata. Você nos diz adeus à sua terra. Ela não acreditava. Ou, talvez, você não sabe, ainda, que parte para sempre.

A paisagem fica cinza. Você vai, vencido, e a sua terra fica sem alento.

Devolver-lhe-ão a respiração os filhos que nascerem, os amantes que chegarem? Os que dessa terra brotam, os que nela entram, serão dignos de tristeza tão profunda?

Sua terra. Nossa terra do sul. Você lhe será muito necessário, don José, cada vez que os ambiciosos se lastimarem e a humilharem, cada vez que os bobos a considerarem muda ou estéril, você fará falta. Porque você, don José Artigas, general dos simples, é a melhor palavra que ela pronunciou.



* Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina, Memórias do fogo e Espelhos/Uma história quase universal.

sábado, 26 de julho de 2008

O Paradoxo Andante

Uma tradução minha, direta do espanhol, de um dos mais recentes textos do Eduardo Galeano, em tempo.

O paradoxo Andante
Por Eduardo Galeano – 04 de janeiro de 2008

A Jornada

Todos os dias, lendo os jornais, assisto a uma lição de história.

Os jornais me ensinam pelo que dizem e pelo que se calam.

A história é um paradoxo andante. A contradição que lhe move as pernas. Talvez seja por isso que o seu silêncio diz mais que suas palavras e com freqüência suas palavras revelam, mentindo, a verdade.

Daqui a pouco será publicado um livro meu que é chamado “Espejos”. E algo como uma história universal, e perdoem-me pelo atrevimento. "Eu posso resistir a tudo, menos a tentação", disse Oscar Wilde, e confesso que tenho sucumbido à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo, do ponto de vista daqueles que não saíram na foto.

Para dizê-lo de alguma maneira, se trata de feitos não muito conhecidos:

Aqui resumo alguns, algunsinhos nada mais.

***

Quando foram expulsos do Paraíso, Adão e Eva mudaram para África, e não Paris.

Algum tempo depois, quando os seus filhos lançaram-se aos caminhos do mundo, se inventou a escrita. No Iraque, não no Texas.

Também em álgebra foi inventada no Iraque. Fundada por Mohamed al-Jwarizmi, faz 200 mil anos, as palavras “algoritmo” e “algarismo” derivam de seu nome.

Os nomes muitas vezes não coincidem com os que nomeiam. No Museu Britânico, por exemplo, as esculturas do Parthenon são chamadas "Mármores de Elgin", mas são mármores de Fidias. Elgin era chamado o Inglês que as vendeu ao museu.

As três novidades que tornaram possível o Renascimento Europeu, a bússola, a pólvora e impressão foram inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.

Os índios tinham o conhecimento antes de qualquer outra pessoa que a Terra era redonda e os Maias tinham criado mais exato calendário de todos os tempos.

***

Em 1493, o Vaticano deu a América para Espanha e presenteou a África negra a Portugal "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Até então, a América possuía 15 vezes mais habitantes do que Espanha e a África negra 100 vezes mais do que Portugal.

Tal como o Papa havia ordenado, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.

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Tenochtitlán, o centro do império Asteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade, pedra por pedra, e com os escombros tapou os canais por onde navegavam 200 mil canoas. Esta foi a primeira guerra de água na América. Agora Tenochtitlán se chama Cidade do México. Por onde corria água, correm os carros.

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O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao General Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagônia.

A mais longa avenida do Uruguai leva o nome do General Rivera, que no século XIX exterminadas últimos índios Charrúas.

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John Locke, o filósofo da liberdade, foi um acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.

Embora nascido o século XVIII, o primeiro dos Borbões, Felipe V, estreou o seu trono firmando um contrato com o seu primo, o rei de França, para que a Compagnie de Guinée vende-se negros na América. Cada monarca levava uns 25 por cento das ganâncias.

Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.

Dois dos pais Fundadores dos Estados Unidos se desvaneceram no nevoeiro da história oficial. Ninguém recorda de Robert Carter nem Gouverner Morris. A amnésia recompensou seus atos. Carter foi o único prócer da independência que libertou os seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula que estabelecia que um escravo era equivalente a três quintos de uma pessoa.

O Nascimento de uma Nação, a primeira super produção de Hollywood, estreou em 1915, na Casa Branca. O Presidente Woodrow Wilson aplaudiu de pé. Ele foi o autor dos textos do filme, um hino de louvor racista a Ku Klux Klan.

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Algumas datas:

Desde do ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu as mulheres de cantar nos templos. Eram impuras suas vozes, por aquele assunto de Eva e o pecado original.


No ano 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios viles", que até então implicavam a perda da nobreza.

Até o ano 1986 era legal o castigo de crianças nas escolas da Inglaterra, com cintos, paus e palmatórias..

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Em nome da liberdade, igualdade e fraternidade, a Revolução Francesa proclamou em 1793 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Então, a militante revolucionária Olympia de Gouges propôs a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadania. A guilhotina lhe cortou a cabeça.

Meio século mais tarde, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos uma: 899 votos contra, um a favor.

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A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser revolucionária, ou algo do tipo. Mas há 1500 anos o império Bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar no mundo onde o aborto e o divórcio eram os direitos da mulher.

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O General Ulysses Grant, vencedor na guerra do norte industrial contra o sul escravista, foi logo presidente dos Estados Unidos.

Em 1875, respondendo à pressão britânica respondeu:

-- Dentro de 200 anos, quando houvermos obtido do protecionismo tudo o que podemos oferecer, também nós adotaremos a liberdade de coméricio.

Assim, no ano 2075, a nação mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.


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Lootie, Botincito, foi o primeiro cão pequinês que chegou a Europa.

Ele viajou para Londres em 1860. Os ingleses o batizaram assim, porque era parte do espólio arrancado da China, ao longo das duas guerras do ópio.

Vitória, a rainha narcotraficante, havia imposto ópio a tiros. China foi convertido em uma nação de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.

Em nome da liberdade de comércio livre, o Paraguai foi exterminada em 1870. Após cinco anos de guerra, este país, o único país das Américas que não devia um tostão sequer a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Nas suas ruínas humilhantes chegou de Londres, o primeiro empréstimo. Ele foi destinado a pagar uma enorme indenização ao Brasil, Argentina e Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos, pelo trabalho que haviam tomado assassinando-o.

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Haiti também pagou uma grande indenização. Desde que em 1804 ganhou a sua independência, a nova nação arrasada teve de pagar uma fortuna a França, durante um século e meio, para expiar pelo pecado de sua liberdade.

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As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, o Supremoa Corte de Justiça extendeu os direitos humanos para empresas privadas, e assim segue sendo.

Poucos anos depois, na defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram 10 países, em diversos mares do mundo.

Então Mark Twain, líder da Liga Antiimperialista, propôs uma nova bandeira, com caravelas ao invés de estrelas, e um outro escritor, Ambrose Bierce, constatou:

-- A guerra é o caminho que Deus escolheu para ensinar geografia.

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Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram a experiência, e os alemães a desenvolveram. Depois Hermann Göring aplicou, na Alemanha, o modelo que o seu pai havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os professores de Joseph Mengele haviam estudado, nos campos de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todos negros.


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Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizada por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida.

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Para Hitler, não faltaram amigos. A Fundação Rockefeller financiou investigações raciais e racistas da medicina Nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.


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Em 1953 instaurou-se um protesto dos trabalhadores na Alemanha comunista.

Trabalhadores se lançaram às ruas e os tanques soviéticos se ocuparam de calar-lhes a boca. Bertolt Brecht, em seguida, sugeriu: Não seria mais fácil que o governo de dissolvesse o povo e elegesse outro?

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Operações de Marketing. A opinião pública é o target. As Guerras se vendem mentindo, como se vendem os carros.

Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietnam, porque o Vietnam havia atacado dois navios dos Estados Unidos no Golfo de Tonkin. Quando a guerra teve destripado uma multidão de vietnamitas, o ministro da Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonkin não tivesse existido.

Quarenta anos depois, a história se repetiu no Iraque.

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Milhares de anos antes de a invasão americana levar civilização ao Iraque, nesta terra bárbara havia nascido o primeiro poema de amor na história universal. Em língua suméria, escrito no barro, o poema narra o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, amou essa noite como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou a noite.

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Paradoxos andantes, estimulantes paradoxos:

O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.

O livro de viagens de Marco Pólo, aventura da liberdade, foi escrito na prisão em Gênova.

Don Quixote de La Mancha, uma outra aventura da liberdade, nasceu na prisão de Sevilha.

Eram netos de escravos os negros que geraram o jazz, a mais livre das musicas.


Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, não tinham mais do que dois dedos em sua mão esquerda.

Não tinha mãos Grimod de la Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com garfos escrevia, cozinhava e comia.